Amor incondicional d e mães ultrapassa ba rreiras

Amor incondicional de mães ultrapassa barreiras

Amor, atenção e convívio familiar são ingredientes fundamentais para a felicidade e o desenvolvimento saudável de uma criança, essa foi a fórmula encontrada por famílias que se encantaram com crianças portadoras de necessidades especiais e em situação de risco que moravam no Abrigo Moacyr Alves – AMA.

Dedicar-se com amor e abnegação tem sido uma das constantes do cotidiano dessas mães que ultrapassam barreiras e obstáculos na vivência com seus filhos. Além da melhoria de vida, as mães buscam diariamente dar todo o apoio e atenção necessários para se estabelecer um vínculo de confiança com esses menores, que anteriormente tinham como referência de família os funcionários e voluntários do abrigo.

De acordo com a professora de ensino fundamental, Ana das Graças, 60, quando começou a participar do Projeto “Mães de Coração” há mais de um ano – projeto no qual “pais” e “mães” adotam as crianças por um dia no Abrigo Moacyr Alves, despertou um lado materno que até então não possuía, pois, a mesma é viúva e nunca teve filhos. Em uma festinha do dia das crianças conheceu D.V., 15, abrigado de maneira permanente na instituição. “Nesse dia ele olhou pra mim e segurou a minha mão, eu perguntei a ele – Você quer que eu seja sua mãe? Ele disse: Quero. A partir daí resolvi iniciar o processo de adoção, pois, quero realmente me dedicar a ele e ajudá-lo da melhor maneira possível”.

D.V. apresenta o quadro de epilepsia e algumas complicações decorrentes de um acidente de carro. Porém, quando começou a receber os cuidados exclusivos e diferenciados de D. Ana o seu desenvolvimento tornou-se muito mais eficaz repercutindo nos aspectos físicos, emocional e social. Quando D.V. chegou à casa de D. Ana, não falava e quase não interagia com as pessoas, depois de quatro meses, ele conversa com ela e com os demais familiares, troca idéias e realiza as atividades da escola na qual estuda.

“Quando ele me chama de mãe, eu sinto uma grande emoção. Fico emocionada com o progresso dele na escola, em casa e tenho aprendido mais com ele do que ele comigo. Pretendo finalizar o processo de adoção o quanto antes”, disse ela.

Para a coordenadora de eventos, Patrícia S. V., a adoção significa a sua razão de viver e momentos de grande felicidade.

A. C. A. , 10, foi abandonada com apenas 15 dias de vida por seus familiares por ter nascido com os lábios leporinos. Patrícia a conheceu no Abrigo Moacyr Alves e quando a pegou nos braços pela primeira vez, ficou bastante emocionada, passando a visitá-la todos os dias no berçário.

“Todos os dias eu a visitava no abrigo e comecei a nutrir um sentimento materno enorme por ela, já não consegui mais ficar longe nem um dia. Quando ela tinha oito meses, o documento de destituição de pátrio-poder foi regulamentado e eu dei entrada no juizado, finalizando o processo de adoção. Hoje, a minha filha realiza todos os meus sonhos, foi a melhor coisa que me aconteceu, é um sentimento de amor e realização no qual a gente pode se doar e viver em função do outro e não apenas de si mesma”, ressaltou ela.

Segundo a diretora do Abrigo Moacyr Alves, Claudete Ciarlini, no caso de adoção de crianças especiais é somente para pessoas especiais, dotadas de sentimentos nobres, que enxergam a alma e não o corpo da criança, por isso, o sentimento que floresce é de amor verdadeiro, um amor de mãe.

“Quem adota crianças especiais, é porque já possui um sentimento latente á espera desse filho especial. Esse tipo de sentimento é incompreensível para muitas pessoas, para aqueles que têm medo de amar e de se doarem…esse sentimento já vem registrado nas profundezas da alma e do inconsciente e um dia ele desperta”, ressaltou Ciarlini.

A adoção no Brasil caracteriza-se por ser um procedimento legal que consiste na transferência de todos os direitos e deveres dos pais biológicos para uma família substituta, conferindo para essas crianças e adolescentes todos os direitos e deveres de filho, quando e somente quando forem esgotados todos os recursos para que a convivência com a família original seja mantida. O processo é regulamentado pelo Código Civil e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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